5 Erros que Todo Guitarrista Comete

Meu amigo Vilmar Gusberti me recebeu na sua Stars Escola de Música para fazermos um vídeo sobre os maiores (ou mais recorrentes) erros que os estudantes de guitarra cometem. Destilamos uma lista que continha tranquilamente mais de vinte itens para apenas cinco tópicos, todos os quais poderiam ser, sozinhos, pormenorizados em um vídeo individual. Neste texto você confere um resumo do que foi dito na gravação e também tudo aquilo que, na hora, por um motivo ou por outro, não foi dito.

1 – Não ter um bom professor

Quando pensamos em outras habilidades, como aprender a dirigir ou a construir uma ponte ou um prédio, fica sempre evidente a necessidade de se buscar um professor (ou vários). Já quando se fala em aprender a tocar guitarra e os estilos musicais a ela associados, o papo muda, e de repente é cool aprender tudo sozinho. Erro crasso.

Eu, pessoalmente, tive poucos professores, é verdade, e infelizmente estudei pouco tempo com cada um, em geral por questões financeiras. Mas o tempo que estive em contato com meus instrutores foi, sem dúvida alguma, o período em que evoluí mais e mais rápido – sobretudo quando encontrei meu guru, Robert Fripp.

Isso nos leva a outro ponto importante: não se trata de apenas ter um professor, seja ele quem for; o importante é ter um bom professor, alguém com experiência, que realmente estudou e aprendeu aquilo que está lhe ensinando, que entende suas necessidades e que conhece o caminho porque já o trilhou.

A questão não é que sem um professor você não vai se tornar um bom guitarrista (apesar de esse ser, sim, um erro que você corre), mas que, sem um instrutor, você vai perder muito tempo tentando descobrir como inventar a roda. Então, se você, assim como eu, não tem dinheiro para manter um professor particular continuamente, faça o seguinte:

  1. Separe um dinheiro e faça um mês de aula (ou quanto você puder);
  2. Interrompa as aulas e siga estudando sozinho aquilo que seu instrutor lhe passou. Durante esse tempo, separe mais uma graninha e, após alguns meses praticando por conta própria…
  3. Volte a fazer aulas com seu professor (ou com um outro, caso não tenha se identificado com o primeiro).

Desse jeito você vai ter:

  1. Uma orientação sobre “o que” e “como” praticar;
  2. Não vai praticar tanto tempo sozinho, sem supervisão, de modo que os erros e vícios não firmarão raízes profundas sem serem detectados;
  3. Não vai gastar tanto quanto gastaria fazendo aula 12 meses por ano.

Aliás, se você se identifica com a proposta do Samurai Guitar e tem interesse em fazer aulas comigo, é só clicar aqui!

2 – Utilizar força e tensão em excesso

A quantidade e a qualidade do esforço é o que separa o estudante do Mestre. O estudante sempre peca pela falta ou, o que é mais comum no nosso instrumento, pelo excesso. O Mestre aplica a quantidade certa, e nada mais.

A tensão muscular excessiva é uma característica do nosso tempo e de seus excessos, e tem diversas implicações na nossa prática: técnica truncada, fraseado não-fluido, expressividade limitada, timbre constrito, etc. Além disso, o excesso de força e tensão ao tocar reflete o estado psicológico com que praticamos: muita rigidez e cobrança, estresse e luta contra a música e/ou nosso instrumento, desconforto com o que estamos a fazer.

Para aqueles estudantes que se preocupam com a técnica, como eu e o Vilmar, este é um tópico ao qual devem ser dedicados uns bons anos de investigação – investigação essa que, alias, talvez não acabe nunca. Em um terreno infinito como esse, torna-se mais uma vez importante destacar a necessidade de termos sempre que possível um bom professor, a fim de pouparmos tempo. (Note que todos os itens deste artigo estão inter-relacionados!)

3 – Impaciência

Ao mesmo tempo causa e efeito do excesso de tensão que vimos no item anterior, a pressa ou impaciência do estudante se manifesta em diversas esferas da prática, tanto no longo prazo (p. ex., querer ser um guitarrista de elite em seis meses, saltar etapas, etc.) como no dia a dia (p. ex., tocar mais rápido do que é capaz de controlar, acelerar as frases antes de estarem bem consolidadas, aventurar-se em um repertório que não é do seu nível, etc.).

O que os poucos invernos do iniciante ainda não lhe ensinaram é que a pressa acaba nos atrasando, porque na ânsia de chegar logo à nossa meta, custe o que custe, acabamos fazendo as coisas de qualquer jeito, sem atenção à qualidade e sem respeitar o tempo que os processos orgânicos demandam. Isso acaba levando a vícios na técnica e a todo o tipo de erro, os quais exigirão um longo e especial trabalho de reparação. Desaprender nossos hábitos ruins é muito mais demorado do que aprender hábitos bons, e não é possível adquirir bons hábitos antes de se livrar dos ruins.

É melhor ir devagar e fazer uma só viagem do que ter pressa e acabar tendo de ir e voltar incontáveis vezes, pequeno gafanhoto. Devagar se vai ao longe!

4 – Não Ter Objetivos Claros

Se você não sabe para onde está indo, de nada adianta ter comprado todos os mapas da cidade. O problema de não ter objetivos claros definidos é outro que se manifesta em diversos níveis, tanto na esfera macro (p. ex., o cara não sabe que tipo de guitarrista quer ser, que tipo de música quer tocar, o que ele teria de praticar, etc.) como na micro (p. ex., não conhece a finalidade dos exercícios que pratica, não organiza cada prática visando a um fim específico).

Se você reconhece em si mesmo este problema e não sabe por onde começar, minha sugestão é: comece determinando o seu objetivo de longo prazo, ou seja, o tipo de guitarrista/músico que você quer ser, o estilo musical que quer tocar, etc.

Esclarecer nossas metas de longo prazo nos ajuda a definir os nossos objetivos de curto e médio prazo: se eu sei que quero ser um guitarrista de blues no estilo do B.B. King, não preciso perder meu tempo treinando sweeps na velocidade da luz e estudando o atonalismo de Schoenberg, por exemplo; em vez disso, fica mais evidente a necessidade de trabalhar meus bends e vibratos, minhas dinâmicas, minhas frases de pentatônica, etc.

A importância dos nossos objetivos e como defini-los já foi assunto aqui no Samurai Guitar, e você pode conferir esse material clicando aqui.

5 – Não Dar Atenção à Qualidade

É comum ouvirmos que são necessárias muitas horas de treino diário durante muitos anos para nos tornarmos um grande instrumentistas, mas não se engane: isso não significa que nossa evolução seja uma questão de quantidade. Se, ao longo de muitos anos, você dedicar horas por dia à prática desleixada da guitarra, fazendo as coisas mal feitas, de qualquer jeito, você não só não vai evoluir como, na verdade, irá involuir.

É aquela velha história: uma hora por dia com qualidade rende muito mais do que quatro horas sem qualidade nenhuma. A fixação do aprendizado acontece por repetição. Isso significa que, se você treina muito, mas treina mal, você estará fixando erros, ou seja, terá erros treinados! Isso é muito comum hoje em dia, infelizmente, sobretudo naqueles estudantes que são muito “fominhas”, têm muita pressa e dedicam muitas horas ao instrumento, mas sem qualidade, sem o acompanhamento de um professor e sem paciência. Esse é um erro que pode ser reparado, mas custará muito caro (sobretudo em termos de tempo).

Além disso, eu incluo neste tópico o problema de pensar muito em guitarra e pouco em música, assunto que eu já abordei no artigo sobre os três erros que tornam os guitarristas antimusicais, e que por isso não vou repetir neste texto.

Para finalizar, vale frisar mais uma vez que todos esses erros estão interligados e vão se acumulando, num efeito bola de neve: a falta de atenção à qualidade leva você a não atingir suas metas (caso as tenha!); isso o faz se sentir frustrado e perdendo tempo, o que aumenta a tensão e a pressa, etc. — e, se você não tiver um bom professor, provavelmente ficará anos preso nesse círculo vicioso, sem perceber…

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