O Melhor Exercício Para Uma Palhetada Eficiente

Em outubro de 2014, quando nos preparávamos para uma performance com Robert Fripp em Mendoza, Argentina, o inacreditável Andres “The Mighty Bull” Ceccarelli me passou, em um personal meeting, o melhor exercício do mundo para praticar a economia de movimento na palhetada.

O exercício consiste simplesmente em usar a própria palheta para abafar a corda imediatamente após tocá-la, o que obriga o guitarrista a encurtar seu movimento de palhetada tanto quanto possível (confira o vídeo). As vantagens dessa economia são óbvias: menos energia desperdiçada, menos tempo gasto com cada palhetada (e consequentemente, mais velocidade na execução) e maior precisão, ou seja, menos probabilidade de tocar sem querer outras cordas indesejadas.

“Palhetas são uma coisa pequena, e cordas de guitarra são uma coisa pequena”, Fripp sempre fala. Teoricamente, a amplitude de movimento necessária para palhetar uma corda é igual à espessura da corda. Mas já dizia Jan L. A. van de Snepscheut (ou Yogi Berra?): “Em teoria, não existe diferença entre teoria e prática; mas, na prática, existe”. Não é preciso muita experiência para verificar que a amplitude de nossas palhetadas excede em muito os décimos de milímetro dos nossos encordoamentos. Tudo bem, esse objetivo de um movimento igual à espessura da corda pode ser inatingível na prática, mas, definitivamente, nós podemos fazer muito melhor do que fazemos — e, ao longo desses anos que venho me dedicando quase exclusivamente ao estudo da mecânica da palhetada, esse é o melhor exercício que encontrei para lapidar essa habilidade. Na minha humilde opinião, esse exercício deveria ser muito mais difundido do que é.

No universo do Youtube, eu só sei de dois instrutores que falaram dele: o inacreditável Rick Graham, que o chama de “planting technique“:

E o meu amigo e conterrâneo Vilmar Gusberti:

No início, enquanto assimila essa prática, o estudante vai pensar em dois movimentos: um da palhetada, para fazer a corda soar; e outro do abafamento, para fazê-la parar de soar. Essa divisão de um processo em etapas é normal e ocorre para tudo na vida. Quando estamos nesse estágio de uma prática, somos iniciantes. (Lembre-se, por exemplo, de quando você aprendeu, na infância, a amarrar os cadarços, e compare com o modo como você visualiza esse ato hoje.)

A coisa começa a engrenar mesmo quando paramos de pensar nas etapas que compõem um processo e passamos a pensar no processo em si: quando nossa compreensão se amplia o suficiente para que percebamos como simples um todo complexo. Palavras bonitas para dizer: quando enxergamos, no caso desse exercício, os dois movimentos separados como um só, complementares. Quando atingimos esse estágio de uma prática, passamos a ser… iniciantes mais experientes.

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Inscreva-se: https://www.youtube.com/user/vilmargusberti

Acesse: http://www.starsescolademusica.com/

 

 

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