Segredos Amorosos Marcianos 6: Imagens Mentais (Steve Vai)

(Parte 6 de 7, originalmente publicado em julho de 1989 na revista Guitar Player norte-americana.)

Às vezes tocamos coisas que surgem do nada e não sabemos por quê. Eu acredito que seja inspiração divina. Podemos apenas ver essas coisas de maneira superficial; porém, em vez disso, vamos tentar fixar algumas “imagens” nesses flertes com o divino.

Pegue seu instrumento e toque um acorde. Tente inventar um acorde que você nunca tocou. (É mais fácil do que parece — coloque seus dedos em lugares onde nunca os posicionou ou desafine uma ou duas cordas.) Agora, faça soar o acorde da maneira que quiser e grave-o. Deixe que ele “fale” com você enquanto escuta a gravação. Permita que o som do acorde evoque uma cena em sua mente — algo familiar ou uma experiência da sua vida. Solte sua imaginação por um tempinho. Talvez você comece com uma simples impressão e termine com uma história completa. Por fim, anote o que quer que tenha visualizado. (Quando tínhamos 16 ou 17 anos, meu amigo Joe Despagni e eu fazíamos muito isso. Sentávamos com a guitarra e um de nós fazia soar um acorde. Nós descrevíamos as imagens que o acorde invocava em nossas mentes — viajando muito.)

Esse é um exercício de imaginação, e ele deve ser levado ao extremo.Não pare só em um acorde.Escute algo que você escreveu ou uma canção popular de que goste.Enquanto faz isso, deixe sua imaginação se perder em descaminhos.Ao procurar por um tema ou melodia especial, você pode buscar imagens mentais de um evento real do passado ou do futuro — ou de uma situação totalmente absurda.Depois de um tempo, você verá como esse procedimento afeta sua maneira de tocar.

Os exercícios a seguir podem levá-lo a descobertas que você não atingiria por nenhum outro meio:

  • Pense em uma pessoa que lhe é muito próxima, ou talvez em você mesmo. Crie uma canção em uma forma padrão (AABA, ou o que seja), e faça com que cada seção reflita um traço de personalidade da pessoa. Provavelmente você terá que começar definindo como você vê esses aspectos diferentes da personalidade do indivíduo. (Esse exercício pode parecer excêntrico, mas eu estou aqui para quê?)
  • Tente exagerar sua maneira de tocar. Se você acha que uma passagem pede que o acorde seja tocado com força, destrua-o por completo. Se precisa de algo rápido e agressivo, fique o mais furioso possível — mais do que você jamais pensou que fosse capaz de ficar. (Mas mantenha a execução limpa e precisa, a não ser que o trecho exija outra postura.) Se uma passagem pede sutileza, você mesmo precisa estar em um estado de espírito muito sutil. Essa abordagem é útil com as dinâmicas — especialmente dinâmicas de bandas —, pois elas são mais eficientes quando exageradas.
  • Pense nas marcações de expressão familiares que encontramos ao ler uma partitura (adagio, legato, e assim por diante). Na verdade, você pode aplicar qualquer adjetivo a uma peça musical. Pegue uma palavra aleatória do dicionário e aplique-a a um riff, canção, mudança de acorde ou solo (e não esqueça de usar a técnica do exagero).

Seja o que fizer, DEIXE-SE LEVAR! (Mas não machuque a si mesmo nem a outras pessoas.)


Samurai Guitar

Tradução: Mariana Valente

Revisão: Augusto Roza

Link para o original: http://www.vai.com/part-six/

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