Segredos Amorosos Marcianos 5: O Físico, Parte 2 (Steve Vai)

(Parte 5 de 7, originalmente publicado em junho de 1989 na revista Guitar Player norte-americana.)

A música evoca certas emoções nas pessoas. Uma melodia familiar pode lembrá-lo de períodos inteiros em sua vida. Quando eu escuto “Led Zeppelin II”, “Are you Experienced?”, do Jimi Hendrix, ou mesmo alguma canção antiga da Motown, a música leva minha consciência de volta a um momento em minha vida quando essa música era popular. Quando experimentamos esse fenômeno, podemos nos sentir novamente da mesma maneira que nos sentimos no momento mais inesquecível em que ouvimos a música.

Quando eu era adolescente, por exemplo, alguém da minha cidade dava uma festa quase todo fim de semana. Eu ia até o toca-discos e colocava uma cópia de ”Led Zeppelin II”. (Eu sempre carregava a fita, caso eles não tivessem o disco.) Quando tocava Heartbreaker, meus amigos abriam um lugar na mesa ou no chão e me pediam para fazer um solo de “air guitar“. Claro, no início eu relutava, mas, naquela época, eu queria ser o centro das atenções, então pulava por todo lado como um animal selvagem. Todos se divertiam, especialmente eu. (Isso acontecia na época em que o vinho Apple Ripple, que custava $1,25 a garrafa, era o máximo — você se lembra, certo?)

Bem, até hoje, quando ouço aquelas músicas familiares, volto para lá, cheirando aromas do tempo, me sentindo com 15 anos e pronto para cruzar a famosa ponte e CONQUISTAR! Na verdade, sinto as mesmas sensações que sentia. Para mim, isso prova o grande poder inerente da música.

Nesta série de artigos, temos tentado desenvolver nossa maneira de tocar guitarra para que ela tenha nossa própria identidade. Devemos encontrar pensamentos pessoais, sentimentos e sensações físicas e fazê-las fluírem através da música. Lembre-se, você é único — só precisa ir atrás disso. Quanto mais fundo você cavar, mais descobrirá.

Traduzir sentimentos e sensações em som é uma abordagem única, e a mesma sensação pode significar algo diferente para cada pessoa. Eu sei o que uma colisão na cabeça ou cócegas nos pés significam para mim, mas essas coisas podem ter um significado diferente para outra pessoa. Eu percebo as coisas através dos meus sentidos, e minhas percepções são coloridas pela minha disposição e visão do mundo. A maneira como imito essas coisas no meu instrumento é um reflexo de como vejo a sensação original, como a sintetizo através da minha imaginação (que é única, como a sua) e como a executo com meus aparatos técnicos (carne e ossos) e com minha coordenação (técnica) — ufa!

Vamos tentar examinar algumas sensações físicas, focando na expressão através do nosso instrumento. Pegue sua guitarra e vamos lá.

Existem milhões de possíveis sensações físicas; Vamos escolher uma e criar um lick ou acorde que a simule. Pegue a simples sensação do vento batendo em seu rosto. Se estiver ventando, exponha seu rosto no vento (ou seu corpo nu, se você quiser). Imagine o som que melhor representa como o vento faz você se sentir. Pode ser um acorde, uma canção, um efeito ou o que quer que seja, mas pense em termos de expressar esse sentimento em sua guitarra. A maneira como você se sente com relação ao vento será colorida por variáveis como a temperatura, seus arredores, seu estado de espírito, e assim por diante. Aqui está um acorde que eu imaginei:

Você pode enfeitar sua ideia com efeitos diferentes, vários tipos de batidas, sobrepondo uma melodia ou o que seja. Ou pode unir uma cadeia dessas sensações para fazer uma música. Se, a partir dessa técnica, você imaginar apenas uma ideia nova, já terá valido a pena.

Aqui estão algumas outras sensações físicas com as quais você pode experimentar:

  • um espirro;
  • cócegas;
  • puxar um fio de cabelo da sua cabeça;
  • um banho gelado ou um relaxante banho quente;
  • uma queimadura;
  • um beijo (quatro tipos diferentes)
  • pular na água;
  • correr o mais rápido possível por 40 minutos;
  • uma pena no umbigo;
  • um cubo de gelo debaixo da sua camisa;
  • esperar na fila do DETRAN;
  • uma cambalhota;
  • girar até cair;
  • E, claro, um orgasmo (basta colocar qualquer disco do Prince para experimentar essa).

Suas sugestões para sensações físicas relativamente seguras são incentivadas.

Em todo caso, você deve realmente examinar a sensação, não deixando nenhum detalhe eludir você, e manter suas impressões iniciais de como as sensações se traduzem em som. Prestar atenção nos detalhes é importante. Quanto mais detalhes você obtiver, mais inspirados serão seus resultados.


Samurai Guitar

Tradução: Tales Bernardi

Revisão: Augusto Roza

Link para o original: http://www.vai.com/part-five/

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