Limitações e Como Encará-las

Limites e limitações são uma parte do nosso dia a dia não só como guitarristas e artistas, mas também como seres humanos. Não importa em que área da nossa vida seja, vai chegar um ponto em que encontraremos um obstáculo invencível, uma tarefa que está além das nossas capacidades e que, infelizmente, não podemos realizar.

Na nossa cultura, em geral a primeira reação que temos quando nos deparamos com uma limitação é negá-la. É difícil para nós (e para o nosso ego) reconhecer que estamos diante de algo que nos supera. De certa forma, não aceitar os limites é saudável: nos esforçamos para melhorar e ficar mais fortes que o nosso oponente. Aceitar qualquer dificuldade que surja em nosso caminho como uma limitação intransponível é sinal de fraqueza, preguiça e má vontade — e é claro que nós aqui no Samurai Guitar não aprovamos esse tipo de postura. Porém, existem sim algumas limitações que são intransponíveis, ou seja, não importa o quanto a gente se esforce, não temos como vencer. Nesses casos, a negação não é a melhor reação.

Uma ferramenta muito útil que podemos empregar para o nosso crescimento é o Desafio, ou seja, algo que podemos realizar com sucesso, mas cuja realização exigirá de nós uma evolução. É um teste de limites: se não nos superarmos, não teremos êxito. Porém, essa não é uma ferramenta na qual a gente possa se basear o tempo todo. Os desafios têm uma aplicação limitada, porque nós rapidamente nos adaptamos a novas realidades, e nem sempre conseguimos aplicar a nós mesmos um novo desafio ou o desafio específico de que estamos precisando naquele momento. Sim, o próprio método de superar limites tem suas limitações!

Saber reconhecer e aceitar os limites que não podemos ultrapassar é uma manifestação de maturidade. Como mostra Robert Moore no seu excelente livro Rei, Guerreiro, Mago, Amante (veja o livro aqui), é isso que separa o arquétipo do Herói do arquétipo do Guerreiro, ou seja, é isso que separa os meninos dos homens. Além disso, quando reconhecemos e aceitamos os limites, surge diante de nós uma oportunidade: cada uma dessas limitações que encontramos nos convida a descobrir uma maneira criativa de contorná-la. A História está cheia de avanços e invenções que só foram possíveis graças ao reconhecimento de uma limitação. Guitarristicamente, por exemplo, o fato de não conseguir tocar ou aprender as músicas dos outros pode ser tudo o que você precisa para vir a se tornar um grande compositor. A pergunta a se ter em mente quando nos encontramos numa situação desse tipo é: Que outros caminhos se abrem a partir desse caminho que não posso mais seguir?

Além disso, reconhecer os próprios limites nos dá a oportunidade de reconhecer a nossa própria natureza. É uma chance de se descobrir, em vez de se inventar. Às vezes ficamos imaginando coisas para nós só porque vimos os outros fazendo ou só porque nos disseram que aquilo era bom ou importante. E o pior é que podemos ficar anos lutando para conseguir essas coisas, mesmo que elas não tenham nada a ver com a nossa personalidade genuína. A verdade é que esquecemos de nós mesmos com muita facilidade. Nesse caso, a dor ou o choque que sentimos quando nos deparamos com uma limitação intransponível pode ser um belo presente do destino (ainda que disfarçado de desgraça!), nos lembrando de quem realmente somos, de nossa própria natureza. Conforme vamos descobrimos essas nossas características próprias, vamos nos tornando cada vez mais únicos, cada vez mais autênticos. Em outras palavras, vamos descobrindo nossa própria identidade. E nada pode ser mais valioso que isso.

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