Palhetada III – O Princípio da Eficiência

Último artigo dessa “mini-série” em que estamos aplicando o método científico ao mecanismo da palhetada. Neste texto aqui vamos abordar o último componente desse mecanismo: a troca de corda. Mas antes de olharmos mais de perto para isso, preciso introduzir um novo conceito nesse nosso estudo — o princípio da eficiência.

O princípio da eficiência estabelece que cada parte faz o seu trabalho e nenhum outro. Isso é bem simples de entender, mas nem tão fácil de aplicar (mas também não é nenhum bicho de sete cabeças!). Esse é o princípio que o grande Henry Ford aplicou na indústria de automóveis e o levou a conseguir um salto de produtividade. É a ideia da esteira/linha de montagem, em que cada funcionário faz uma única coisa, nem que seja apenas colocar um parafuso no produto, e o passa adiante para o próximo funcionário, que também fará apenas uma única coisa. Assim, cada parte se especializa na sua função e automatiza o processo, de modo que tudo ocorre com muito mais eficiência, ou seja, menos esforço e mais resultado — tudo o que a gente quer.

E a técnica ortodoxa se utiliza desse princípio. Na guitarra, o princípio da eficiência pode ser interpretado da seguinte maneira: os dedos apenas seguram a palheta (eles não palhetam a corda); o punho apenas palheta a corda (ele não faz a troca de corda); e o cotovelo apenas leva a palheta para a corda certa (ele não faz a palhetada). Desse modo, temos a técnica mais econômica possível, e uma base sólida sobre a qual podemos construir nossa habilidade.

A troca de corda é um ponto crítico da técnica. Quando você erra numa frase de palhetada alternada, é muito provável que o erro ocorra na troca de corda, e os motivos mais comuns por trás desse erro são 1) segurar a palhetada de modo inconsistente (por isso focamos nisso no primeiro artigo desta série) e 2) violar o princípio da eficiência (ou seja, alguma parte está desempenhando mais de uma função ou não está realizando seu único trabalho).

Um exercício bem simples para trabalharmos esse componente do mecanismo da palhetada é o que chamo de “o segundo fundamental da mão direita”, uma evolução natural do exercício que passei no artigo/vídeo anterior. Basicamente, vamos ficar palhetando cordas soltas, mas não de qualquer jeito: vamos fazer tudo sempre com palhetada alternada (do modo ensinado no artigo anterior) e ficaremos observando os três componentes do mecanismo da palhetada bem de perto, cuidando para que o princípio da eficiência seja atendido.

O pulo do gato, aqui, consiste em utilizarmos um número ímpar de notas, para que acostumemos nossa mão a trocar de corda independentemente de irmos para uma corda mais grave ou mais aguda, com a palhetada para cima ou para baixo. Os padrões mais comuns seriam 3, 5 e 7. Ficariam assim:

segundo-fundamental-md

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