A Palheta Illuminati e o Prof. Putitrain

Como todo bom sujeito, estava lá eu um belo dia perdendo meu tempo no YouTube quando o site me recomendou, em seus vídeos relacionados, um vídeo muito específico. Era um vídeo de Prof. Putitrain. E o assunto era tipos de palheta. A tentação foi mais forte do que eu. Eu precisava saber o que prof. Putitrain estava aprontando. Mais do que isso, eu precisava confirmar as duas únicas certezas que tive na mesma hora em que vi o título (e o protagonista) desse vídeo: 1) ele vai dizer que, no fim das contas, todas as palhetas são iguais, que não tem melhor nem pior nessa história e que a decisão sobre qual palheta usar é puramente uma questão de preferência pessoal; e 2) ele não vai citar a palheta que eu uso. Essa segunda certeza era a que me doía mais. Primeiro porque é a melhor palheta que existe, segundo porque eu sabia que ele não iria dizer o que faz dela a melhor palheta que existe.

Eu estou falando da palheta Illuminati, a palheta “signature” de Robert Fripp e do Guitar Craft. Essa palheta é muito diferente das demais. Ela é um triângulo de aproximadamente 3,5 cm. Pra você poder comparar, a base de uma palheta comum mede cerca de 2,5 cm. Essa base maior da palheta Illuminati dá ao guitarrista muito mais controle sobre a palheta e, consequentemente, sobre sua palhetada. Por que isso é tão importante assim? Porque, eu não sei se você já parou pra pensar, mas a palheta é a única coisa entre o guitarrista e a guitarra. Toda a nossa técnica e expressão da mão direita (se você toca como destro) é transmitida para o instrumento através dela. Perca o controle sobre a palheta, e você perde o controle sobre a sua performance. Mais controle é fundamental. E a palheta Illuminati oferece exatamente isso.

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A Palheta Illuminati.

Mas não só isso. Como disse antes, ela é triangular, o que significa que ela dura três vezes mais que as palhetas comuns. Quando gastar uma ponta, você ainda tem mais duas! E essas três pontas que a palheta Illuminati nos oferece são muito especiais: elas são agudas. É praticamente uma shuriken das seis cordas. As palhetas comuns têm ponta romba, ou seja, pontas arredondadas. E isso é um problema. (Acho que sou o primeiro guitarrista brasileiro a falar isso.) Por quê? Porque isso significa mais contato com a corda, exatamente o que a gente não quer. Já se perguntou por que sua palheta às vezes parece “trancar” na corda? A ponta arredondada  é um dos grandes culpados desse problema. Palhetas de ponta romba são como pregos de ponta quadrada: até podem funcionar, mas vão dar muito mais trabalho do que seria necessário.

Já as palhetas de ponta aguda atravessam a corda como se ela não estivesse ali. Elas têm muito menos contato com a corda, muito menos massa e, por isso, muito menos atrito. São como uma lâmina muito afiada. Se fossem espadas, as palhetas de ponta romba seriam como as espadas medievais japonesas: pesadas, lentas e feitas para serem manejadas na força bruta. Já a palheta Illuminati seria uma katana japonesa: leve, ágil e feita para ser manejada na técnica. E afiada como um laser.

O único problema é que essa palheta não está à venda para o público em geral. As palhetas Illuminati são fabricadas no Japão, pelo Sr. Hiroshi Iketani , e vendidas exclusivamente para os estudantes do Guitar Craft, do Robert Fripp. Isso é má notícia. Mas existe uma “prima pobre” da palheta Illuminati, que é comercializada por aí (se não encontrar na sua cidade, você pode comprá-la pelo Mercado Livre). Isso é boa notícia.

Trata-se da Dunlop Sharp, que foi igualmente ignorada pelo prof. Putitrain em seu vídeo. Essa palheta não é triangular, então a base que ela oferece é igual à das demais, mas ela oferece sim a ponta aguda, e isso é o mais importante. Recomendo fortemente que você experimente essa palheta. No início talvez você a ache estranha, mas dê a ela pelo menos um mês de teste. Observe como muda o timbre das suas notas, que ficam muito mais claras e definidas. Isso acontece porque a ponta aguda “participa” muito menos da produção do som, em comparação à ponta arredondada. Ela é muito mais transparente. Usando a palheta de ponta aguda, em vez de ouvir o som da palheta (como acontece no caso das palhetas de ponta romba), você vai ouvir apenas o som da nota, ou seja, o som do seu toque mais o timbre do seu instrumento. E isso é ótima notícia.

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Dunlop Sharp.

O Ministério da Guitarra adverte: cuidado com os vídeos do prof. Putitrain. Assista com moderação. Se beber, assista.

 

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